A missão da Igreja (1)¹
INTRODUÇÃO
Qual é a missão da Igreja? Antes de respondermos esta pergunta, conheçamos o significado do termo "missão". Segundo o pastor Oséas Macedo de Paula,
A palavra "missão" vem da expressão latina missione, que se originou por sua vez do verbo mittere, que significa ação, tarefa, ordem, mandato, compromisso, incumbência, encargo ou obrigação de enviar missionários. No grego, corresponde à palavra apostolé que, em português, é "apóstolo" e significa "alguém enviado por ordem de outrem para realizar uma tarefa".²
Mateus 28.19 e 20 diz: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." É baseado neste trecho bíblico que tratarei, em uma série de quatro artigos, sobre a missão/dever da Igreja de Cristo nessa terra.
1 IR
"Portanto ide..." (v19a). Nas versões em português de nossas Bíblias, o verbo "ir" conjuga-se no modo afirmativo do imperativo (ide [vós]), entretanto, de acordo com o original grego, tal verbo se encontra no gerúndio (indo), o que dá ideia de continuidade, prosseguimento, movimento. Daí poderíamos traduzir ou ler assim o versículo em questão: "Indo, fazei discípulos...". Perceba que — fazer discípulos, batizá-los e doutriná-los — é algo contínuo. Começou com a Igreja Primitiva, e nós, os servos de Deus, do passado e do presente, demos continuidade a essa ordem do Senhor Jesus Cristo.
1.1 Ir é a missão-tarefa da Igreja
Ir até as pessoas que carecem de Jesus é tarefa obrigatória da Igreja (Mc 16.15,16; 1Co 9.16). Não devemos fazer vistas grossas a essa importante incumbência a nós imposta. Como Igreja de Deus, também não devemos cruzar os braços e ficarmos vendo as pessoas morrerem sem Cristo e sem salvação. Em outras palavras, não devemos parar, e, sim, estar em movimento (indo), ao falarmos de Jesus aos homossexuais, às prostitutas, aos mendigos, aos órfãos, aos feiticeiros etc. Todos, enfim, necessitam do Salvador (Rm 3.23). A nossa missão, como embaixadores do Mestre, é desviar as pessoas do inferno, enquanto as enviamos para o céu, por meio da pregação da Boa-Nova. Por essa razão, eu e você temos de dar continuidade à evangelização proposta por Cristo, há pouco mais de dois mil anos, resgatando almas para o Seu Reino.
1.1.1 Começando pelo seu bairro, até alcançar os povos distantes
Confesso que fico indignado quando ouço um crente afirmar que Deus o chamou para pregar em outras nações, quando ele mesmo (o tal crente) não prega nem para os vizinhos e conhecidos dele. Quando Jesus disse: "Indo, fazei discípulos de todas as nações", Ele quis dizer: "Indo, discipulai todas as gentes". E gentes, aqui, não implica somente povos distantes, de culturas e idiomas diferentes; significa também os de perto. Pessoas que nos rodeiam, que estão próximas a nós. Nações são formadas por pessoas. Quando, indo, eu evangelizo alguém no meu bairro, estou cumprindo a ordem de Jesus, que é pregar a toda criatura (ser humano). Ou seja, estou dando prosseguimento à tarefa, que começou com a Igreja em Jerusalém, de anunciar salvação a todos os povos, posto que o desejo de Deus é que ninguém se perca (1Tm 2.3,4; 2Pd 3.9).
Antes de querer ir a um país africano para evangelizá-lo, por exemplo, eu devo evangelizar a minha família, os meus vizinhos, os meus colegas de trabalho, de faculdade etc. Devo falar de Cristo para aqueles entre os quais convivo. Fazendo isto, estarei cumprindo o Ide de Jesus, indo. Também não me entenda mal, achando que eu não queira que países, como os do continente africano e alguns comunistas como China, Coreia do Norte e Cuba, sejam alcançados pela mensagem salvífica do Evangelho. Ao contrário, precisam e devem, sim, ser alcançados. Não apenas eles, mas todos os continentes do mundo. Por outro lado, de nada adiantará eu fazer missão em um país da Ásia, suponhamos, se no meu país (Brasil) as pessoas estão morrendo sem salvação.
Para provar que fazer missão é algo sucessivo, ou continuativo (indo), Jesus aconselhou aos seus discípulos que começassem por Jerusalém a pregar "o arrependimento e a remissão dos pecados" (Lc 24.47-49). Deduzimos que, se os apóstolos tiveram de começar por Jerusalém, outros deveriam dar continuidade a tal obra de evangelização/missão. Para ser um missionário bem sucedido, é necessário seguir esta sucessão: Jerusalém-Judeia-Samaria-Mundo (At 1.8). Ou seja, a missão da Igreja tem abrangência local (Jerusalém), regional (Judeia e Samaria) e mundial (confins da terra). Se invertemos esta ordem, a decepção é certa.
Enquanto está em Jerusalém (seu bairro, sua cidade, sua região etc.), o crente aguarda (não deixando de evangelizar) a capacitação do Espírito Santo; aí, sim, estará apto — espiritual e teologicamente — para alcançar todos os povos do globo terrestre. Aprendi que, sem o Espírito Santo, não existe missões verdadeiras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Depois de Cristo, Filipe é um exemplo de missionário a ser seguido: "E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesareia" (At 8.40). Este servo do Senhor não perdia tempo. Depois de evangelizar o eunuco, explicando-lhe as Escrituras, e batizá-lo, Filipe foi raptado e, quando se deu conta, se encontrava em Azoto. E, até chegar em casa, ele foi anunciando Cristo por onde passava. Que, como ele, possamos estar indo em busca dos perdidos, evangelizando, a tempo e fora de tempo: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (1Tm 4.2). Isto é fazer missões!
Para ler o próximo artigo dessa série, que enfatizará o discipulado, não perca tempo e clique aqui.
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¹Baseado em Mateus 28.19 e 20, este é o primeiro de uma série de quatro artigos, com temática missionária, em que destaco o quádruplo dever da Igreja: ir ("Portanto ide"); discipular ("fazei discípulos de todas as nações"); batizar ("batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo"); e doutrinar ("ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado").
²DE PAULA, Oséas Macedo. Manual de Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 1ª edição, 1997. p. 11.

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